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Conheça Xavier Machiana e o seu olhar sobre a digitalização da música

by Mario Monjane / 11 11+02:00 February, 2021 / Published in Blog

A música tem cheiros, memórias, saudades, promessas…é feita pelos fios que costuram a  identidade de uma pessoa. Há músicas que marcam uma vida de quem a ouve. O mesmo, talvez mais profundo, ocorre com o seu criador que tem nesta arte parte da sua existência, do seu ser, o oxigénio para a humanidade.

Xavier Machiana, ex-vocalista da banda moçambicana de rock Rockefeller’s, é um desses casos, de alguém que ainda na infância encantou-se pela música. As aulas na Escola Nacional de Música, em Maputo, alimentou ainda mais a paixão, envolveu-o mais a fundo neste universo.

Tendo abraçado a guitarra, não mais largou. Na década 90 encontrou na banda Bon Jovi uma referência, um alicerce. E foi ensaiando covers dos hits do conjunto de Nova Jersey.

O apresentador do talk show Sofá do Xavier (Stv), actor, activista social Xavier Machiana, pelo caminho, integrado no meio artístico, foi vocalista da banda Rockefeller’s. No conjunto de rock, o também compositor, projectou-se, passando a confundir-se com a formação (como, aliás, é tradição das bandas).

No final dos anos 90, Rockefeller’s é a referência moçambicana de rock, dominando o mainstream com um género moderno, num contexto que era dominado por agrupamentos como Ghorwane e Kapa Desh. Fruto do sucesso, foram os vários prémios. É, sem dúvida, um dos conjuntos mais influentes e incontornáveis no panorama da música moderna moçambicana.

Xavier Machiana segue agora carreira a solo, tendo lançado recentemente os singles “Grace” e “Push”.

“Grace”, traduz o interesse do intérprete cantar sobre a necessidade das pessoas serem mais humildes e, acima de tudo, aprenderem a verbalizar a gratidão.

“Push”, explicou-nos: “é uma história de amor que fala um pouco sobre mim e um pouco sobre todo mundo. Acho que apesar de levarmos vidas mundanas, há momentos em que mudamos, e muitas vezes a mudança tem a ver com o conhecer a pessoa certa, isso aconteceu comigo”.

Recentecentemente, Xavier Machiana lançou as músicas “Será” e esta última fresquinha intitulada “Lugar”

Durante o seu percurso, Xavier Machiana dividiu o palco com artistas nacionais e internacionais como. Entre os quais destacam-se Bono Vox (U2), Sandra St. Victor (Prince, Chaka Khan, Tina Turner, Erykah Badu, etc), Kool & The Gang, UB40, Martinho da Vila, Max Gazze, Lucky Dube, Hugh Masekela, Oliver Mtukuzi, Kassav, Bayete, Delfins, Rui Veloso, Xutos e Pontapés, Sergio Godinho, Os Travessos, Tito Paris, Mafikizolo, Bongo Mafin, Danielle Silvestri, Rasta Rebels, Filipe Mukenga, Tiazinha, Kapa Dech, Awilo Longoba, Splash, Gil Semedo, Irmaos Verdade, Oliver Ngoma, Stewart Sukuma, Banda Kakana, Suzana Lubrano, Mandoza, Ghorwane, Wazimbo.

 

Um olhar sobre a digitalização de música digital

Num momento em que o mundo foi obrigado a passar mais tempo em casa sem contacto físico com o exterior, a música através de plataformas de streaming crescem em termos de audiência.  Uma certeza instala-se, o consumo de música nunca mais será igual. O susto pela pandemia irá passar, as pessoas poderão voltar a rua, a viajar. Mas nada será como antes.

Atento aos ventos do mundo, Xavier disse que recorreu as plataformas quando começou a carreira a solo encaixando-se nas exigências actuais.

“Eu acho que a tecnologia mudou a forma de escutar música. Hoje em dia funcionamos com aparelhos móveis e cada um ouve, assiste, vê e acompanha informação de acordo com o seu gosto. Não estou a dizer que o disco morreu, mas distribuindo de forma digital, segmenta melhor os gostos, atingindo o indivíduo. Chega de forma mais rápida, mantém a qualidade do criador e as pessoas visitam quantas vezes quiserem”, disse Machiana.

Olhando para o futuro Machiana, peremptório, afirmou: “definitivamente a distribuição digital é o futuro. O que temos de fazer é migrarmos para essa realidade, deixarmos de ser dinossauros e saber viver no mundo atual. Existe uma nova geração de consumidores que o fazem de forma muito específica. Eu acho a distribuição digital ajuda a massificar o nosso trabalho”.

Xavier Machiana ilustrou os indicadores que mostram que a música digitalizada é o futuro: o primeiro diz respeito as diferentes plataformas que já estão a ser massivamente utilizadas no mundo. O segundo é referente aos aparelhos de consumo de música terem apostado no digital.

“A distribuição digital é o futuro da música e quanto mais cedo nos adaptarmos melhor será para todos” acrescentou Machiana.

Ele abordou ainda sobre enriquecer a biblioteca de música moçambicana tendo mais contactos com artistas nacionais devido ao fraco conhecimento das plataformas por parte dos músicos e facilitar o método de compra para os moçambicanos. “Há aqui dois aspectos, o primeiro é que deve-se aumentar o leque de musicas locais. O outro especto é criar mecanismos para que os moçambicanos comprem músicas de forma facilitada de acordo com a sua realidade. Um outro aspecto seria adaptar as plataformas (deezer, spotfy, iTunes) a fazerem pagamentos via conta móvel” fechou Xavier Machiana.

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